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Se a gente se ama, por que brigamos? – Bruna Vieira.

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“O nosso sentimento é forte, isso ninguém pode negar. A gente se ama tanto e com tanta verdade que simplesmente não conseguimos enjoar da companhia do outro. Toda vez que nos reencontramos é sempre a mesma coisa: a euforia de estarmos juntos novamente toma conta e a felicidade vem fácil, fácil.

Só que, assim como a felicidade, ligeira em se apresentar, também surgem rápido alguns atritos entre nós. Quando nos damos conta, eles já estão acontecendo e sabe-se lá por qual motivo. Então discordamos (a razão costuma ser algo banal do cotidiano) e a discussão segue até que cheguemos a uma conclusão – ou cansemos de argumentar.

A gente briga e nem dá para entender o porquê.

Às vezes, penso que algum ponto da sua personalidade é muito diferente da minha forma de ser ou, sei lá, que existe uma força entre nós tão grande quanto o nosso amor. Porque uma coisa é certa: podem continuar acontecendo as nossas brigas – elas não mudam o que sentimos um pelo outro.

O mais louco é que o sentimento parece ficar sempre mais forte, como se nossos conflitos fossem a corrente elétrica que passa pela bateria na nossa vida mostrando que, sim, continuamos vivos, ligados e atentos, com toda a energia do mundo e, bem… dando pequenos choques aqui e ali.

A conclusão que eu chego é que não tem muito jeito, sabe? Podemos nos acertar, mas nunca mudaremos quem somos. E, juntos, ainda teremos muitos pontos a divergir ali na frente, disso eu não tenho dúvidas.

Mas se esta peculiaridade faz parte de nós, o que podemos fazer? O importante é que, de uma forma ou de outra, continuemos com nosso respeito mútuo. Porque só assim poderemos sempre enxergar a graça que há entre nossas contradições de casal que briga, mas continua se amando totalmente.”

Bruna Vieira, textos

Um coração que quebrou e voltou. – Bruna Vieira.

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Um crime horrível: às dezessete horas daquele dia de calor intenso, ele se despedaçou e se fez em pedaços. Caiu na sarjeta, dividido em oitenta mil caquinhos, e não tive nem como abaixar pra pegá-lo, porque tudo o que eu queria era deixá-lo ali mesmo. Eu não iria carregar comigo algo que já estava quebrado e só me traria sofrimento:

O meu coração.

Por isso, segui em frente, sem a companhia do coração e de quem morava nele antes disso tudo acontecer. Fui deixando a rotina tomar conta e percebi que não haveria espaço para mais nada parecido na minha vida: me dei a liberdade de me esquecer do que fosse relacionado ao amor.

Dessa forma, consegui viver bem melhor, acredito eu. Porque deixando ele lá, sem tentar reconstituir o que houve ou consertar o que há muito não teria mais conserto, minimizei as marcas dentro de mim. Apaguei as lembranças. Só ficou o vazio.

A parte ruim é que esqueci como era amar. Não queria mais saber destas coisas e não procurei ter isso de volta. É sério, até evitei! Até que, em algum momento, percebi que ele estava vindo atrás de mim. Uma nova pessoa, um outro alguém e uma história fresquinha, querendo começar. Eu estaria pronta para ser protagonista disso tudo?

Tive que tomar uma decisão: eu sabia que, se me abrisse, ele me arrebataria por inteira e tomaria, novamente, cada pedacinho de mim. E não é fácil, sabe? Eu não queria sentir desamor e desilusão de novo e não podia correr este risco mais uma vez. Só que, então, aconteceu algo que mudou tudo.

Me dei conta de que não dá para deixar o conveniente se apossar da gente. Ser precavida demais, no final das contas, é se trancar numa gaiolinha que não te deixa viver.

E, no fundo, bem lá no fundo, este tipo de vida não estava mais cabendo dentro de mim: me sentia um pouco enclausurada nas paredes que eu mesma ergui. Saí da minha antiga situação como quem se acostuma a um novo ambiente. Não tinha como deixar passar o frio na barriga que isso trazia, mas a sensação era boa – e, de certa forma, diferente daquela última vez. Tá aí, começara de outro jeito – haveria de ser diferente.

Me apaixonei.